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Mensagem do pároco › 22/02/2017

Os “ais”, uma ponte entre o Antigo e o Novo Testamento

 

A significado da palavra “ai”, na Sagrada Escritura, está ligada a aflição, desespero, lamentação, insatisfação, dor, uma ameaça ou é usada tão somente para atrair a atenção. A teologia dos “ais” é ostensiva seja no Antigo Testamento como no Novo Testamento sendo o livro Habacuc e o Evangelho de São Mateus os mais ardilosos neste temática.

O profeta Habacuc faz suas lamentações tentando tirar de sua vida as grandes “cargas” e “fardos” que também são suas queixas apresentadas a lahweh das calamidades públicas. São desordens internas de uma sociedade marcada pela opressão do seu povo. No livro Naum na tentativa de distinguir os fieis dos ímpios nos são apresentadas as “lamentações fúnebres”: “Ai! Como (‘oy mah) teus pastores cochilaram, ó rei da Assíria? Adormeceram os teus poderosos” (Na 3,18).

Contra a avidez do conquistador, Habacuc segue com o pensamento na sutileza dos seus discursos em parábolas. Deste modo, os cinco “ais” mostram os ganhos ilícitos contra os povos espoliados (cf. Hab 2, 6-20).

Em contrapartida ao profeta, o Evangelho de São Mateus faz “uma ponte para o último grande discurso, a denúncia contra os escribas e fariseus (Mt 23, 1-36) é uma extraordinária construção mateana” (Raymond Brown) a respeito dos “ais” “que funcionam quase como a antítese das bem-aventuranças no cap. 5”, como reforça Brown o qual completa: “Conquanto os sete “ais” sejam descritos como críticas de Jesus aos líderes de seu tempo… envolvem polêmicas em torno da Lei, mas o último (Mt 23,29-35) associa os escribas e os fariseus aos assassinos dos profetas, sábios e escribas”.

São Lucas apresenta o tema de forma isolada, aparece mencionado em relação às cidades Corazim, Betsaida e Cafarnaum: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida” (Lc 10,13) e “Ai de ti, Cafarnaum! (Lc 10,15). Encontramos o tema em múltiplas passagens: Provérbios 23,29); 1 Samuel 4,7; 1 Reis 13,30; Isaías 1,4; Jeremias 10,19; Ezequiel 16,23; Isaías 55,1 e etc.

Os “ais” são interpretados de formas variadas para facilitar os cristãos da atualidade ouvi-los como uma crítica àquilo que geralmente praticam sem perceber que estão longe de aplicá-los ao comportamento que a religião exige. Todavia, “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José. Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito (Amós 6,1a.4-7).

Padre Joacir d’Abadia, filósofo, Pároco da Paróquia São José Operário e Administrador da Paróquia Santa Luzia

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