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Notícias da paróquia › 28/03/2021

Reflexão do Evangelho de Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Brasília, 28 de março de 2021
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – B
Leituras: Is 50, 4-7/ Sl 21∕ Fl 2, 6-11
Evangelho: Mc 11, 1-10∕ Mc 15, 1-39

“… Mas ele esvaziou-se a si mesmo…assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 7)

Com a celebração de hoje marcamos o início da maior de todas as semanas – a Semana Santa. Na qual, não obstante a limitação do nosso tempo, iremos celebrar de modo mais intenso os grandes mistérios da nossa salvação: a paixão, morte e ressurreição do Senhor. Mistérios estes que nos revelam o valor inigualável que tem o ser humano para Deus.

O primeiro destes eventos celebrados pela liturgia é a entrada de Jesus em Jerusalém, montado num jumentinho, aclamado como rei pelos que rodeavam os caminhos. De fato, o Senhor é rei, não como os reis deste mundo, cujo poder funda-se na violência e na dominação.

Diferentemente de qualquer rei mundano, Jesus não entra em Jerusalém montando num cavalo, símbolo do poder, da nobreza e da ostentação dos antigos monarcas. Ele entra em Jerusalém montado num jumentinho, símbolo de pobreza e de despojamento. Uma vez que o jumento é um animal desvalorizado.

Normalmente, quando um rei entra de maneira triunfal numa cidade, vem com a decisão de conquista-la, de dominá-la, de saqueá-la ou de escravizar as pessoas que nela habitam. Jesus, muito pelo contrário, entra em Jerusalém, para torna-la livre. Não somente Jerusalém, mas a humanidade como um todo.

Também quando o Senhor quer entrar em nossa vida, não é para nos dominar, para nos escravizar, mas para nos salvar, para nos tornar verdadeiramente livres.

Jesus não entra em Jerusalém para escraviza-la, senão para libertá-la de todo mal, de toda contradição. E ali foi tratado como escravo, o que vem de encontro ao que nos diz a carta de São Paulo aos Filipenses: “mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (Fl 2, 7).

Isto é verdade, a condição do homem neste mundo sem Deus é uma condição de escravidão. Somos escravos do pecado, do medo, da morte, da enfermidade, da violência, dos vícios, da incredulidade, do sincretismo, das falsas religiões, da mentira. Somente Jesus Cristo – o Senhor — ao fazer-se um de nós, vindo viver entre os escravos, pode nos fazer novamente livres, ao vencer toda a maldade que se faz presente no mundo.

Jesus, ao se encarnar, entrou num mundo tortuoso, marcado por tantas incertezas e injustiças. Um mundo não muito diferente do nosso, profundamente marcado pela dor nestes tempos de pandemia. No qual famílias inteiras têm passado por tribulações, medo, perdas, dificuldades econômicas, aflições e solidão inaudita. Na sua paixão o Senhor se faz solidário de cada pessoa fragilizada pela dor. Segundo a profecia de Isaías: “E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava” (Is 53, 4).

Tendo assumido a nossa condição humana Jesus assumiu todas as nossas dores e enfermidades ao mesmo tempo que nos concede participar do que é seu: sua paixão, morte e ressurreição. De nós o Senhor herdou a morte, o sofrimento. Dele nós recebemos a vida, a graça, a filiação, a salvação.
Por fim, que nesta grande semana possamos entrar com o Senhor na Jerusalém da nossa história presente, para sofrer com Ele a paixão e participarmos com Ele da glória da sua ressurreição.

Certamente, estamos numa semana santa realmente marcada pela dor, rodeada pela ameaça do sofrimento, da morte, da separação, causadas pela pandemia e pelo desamparo. Mas pela fé, pela solidariedade com os que sofrem, pela partilha, pela oração, podemos transformar esta grande semana de dor, numa autêntica semana de ressurreição. Esvaziando-nos de nós mesmos dos nossos egoísmos, dos nossos interesses, para nos encher de Deus, do seu amor, da sua misericórdia.

Pe. Hélio Cordeiro
E-mail: cordeirohelio80@gmail.com

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