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Notícias da paróquia › 06/06/2021

Reflexão Liturgica: Gn 3, 10

­­Brasília, 06 de junho de 2021

X Domingo do tempo comum – B

Leituras: Gn 3, 9-15/Sl 129 9130)/II Cor 4, 13-18-5, 1

Evangelho:

 

“Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo…” (Gn 3, 10)

 

Quando Deus pensou em nos criar foi movido por seu amor eterno que nos quis fazer participantes da sua vida, da sua amizade, da sua graça, numa harmonia entre o Criador e a criatura. Mas um fato veio perturbar esta comunhão – o pecado. Vindo a suscitar medo onde antes havia confiança; vergonha onde antes havia pureza de coraçãoç fuga onde antes se vivia a alegre experiência do encontro.

É assim que o Gênesis apresenta a reação de Adão ao ouvir a voz de Deus, depois de ter pecado: “o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: ‘Onde estás?’ E ele respondeu: ‘Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”! (Gn 3, 9-10). Esta desordem provocada pelo pecado continua a prejudicar a relação do homem com Deus e com o próximo, suscitando uma crescente desconfiança em relação a Ele e uma iniqua disposição para acusar o próximo.

O medo, a vergonha e a fuga diante de Deus, são realidades estranhas, que não cabem dentro da relação entre o Criador e a criatura. Pois o fundamento desta relação é o amor de Deus. Somente uma grave desordem interior, moral e espiritual pode gerar estas posturas estranhas em relação a Deus e às pessoas que amamos.

O único medo que temos que ter, em sentido absoluto, é o da condenação a uma vida sem Deus ou mesmo contra Ele. Se temos que sentir vergonha de alguma coisa, é dos nossos pecados e infidelidades que devemos nos envergonhar. Se temos que nos esconder ou fugir de alguém, é do Demônio que precisamos fugir.

Temos que vigiar para que tais desordens não se instalem em nossa vida também, porque, embora tenhamos nos tornado filhos de Deus pelo batismo, somos pecadores ainda. E como tais, corremos o risco de nutrir o medo em relação a Deus, ao invés da confiança. A vergonha ao invés da transparência, a fuga ao invés de irmos ao seu encontro.

Na raiz desta desordem está o pecado da desobediência, por isso, é pela obediência ao Senhor que podemos reconstruir nossa confiança, transparência e a liberdade necessária para irmos ao seu encontro. É procurando fazer a vontade de Deus que somos reinseridos na família de Deus: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 35).

A desobediência inicial que constituiu no querer discernir por si mesmo o que é o bem e o mal a despeito de Deus, desequilibrou nossa relação com Ele e com o próximo. Em relação a Deus no lugar do amor, da confiança, da liberdade para o encontro entrou o medo, a vergonha, a fuga. Em relação ao próximo, a cooperação, a mútua ajuda deu lugar à acusação: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi” (Gn 3,12). De irmãos que éramos tornamo-nos adversários.

É possível ver neste processo como que a desobediência conduz à irresponsabilidade, que dispõe as pessoas para acusar sempre os outros, se eximido da responsabilidade que lhes cabe. Se não vigiamos, é assim que acontece, sempre consideramos que a culpa é dos outros. Enquanto a nós, julgamos não termos feito mal algum.

Portanto, hoje o Senhor nos convida a fazermos a sua vontade, para que através dela recuperemos nossa confiança em Deus, no seu amor e possamos olhar os outros com mais benevolência. Para que nos tornemos capazes de reconhecer nossos próprios pecados, para que não fujamos de Deus, antes nos aproximemos Dele com confiança. Mas estejamos sempre prontos a fugir do que não convêm ao cristão.

 

Pe. Hélio Cordeiro

E-mail: cordeirohelio80@gmail.com

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